Jun-ho tencionou, mas não se afastou.
— O que tem ele?
— Ele está obcecado pela Mila — Salin continuou, a voz ganhando um tom conspiratório.
Salin se ergueu um pouco, apoiando-se no cotovelo, com cuidado para não acordar o menino.
— E se a gente usar isso?
Jun-ho franziu a testa.
— Usar como?
— Como isca. — Os olhos de Salin brilharam com a estratégia. — Ele não consegue me encontrar, certo? Mas e se a Mila "aparecesse"? E se ela marcasse um encontro? Ele viria correndo. Ele está obcecado.
Jun-ho olhou para Salin por um longo momento. A expressão dele não era de aprovação. Era de um choque frio.
— Você acha que ele quer a Mila porque ele gosta dela? — Jun-ho perguntou, a voz perigosamente calma.
— Bem... é uma obsessão doentia, claro. Mas é desejo. Ele quer possuir ela.
Jun-ho soltou uma risada curta, sem humor nenhum. O som foi tão seco que pareceu estalar no ar. E se sentou ao lado de Salin.
— Não seja ingênuo, Sali.
Salin fechou a cara, ofendido.
