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Chapter 19 - Capítulo: O Protocolo Fantasma

Às duas e meia da manhã, o nevoeiro espesso de São Francisco engolia o antigo complexo de fundição abandonado nas docas do sul, o quartel-general do Iron Syndicate. Do lado de dentro, mais de quarenta criminosos fortemente armados guardavam o local, cercados por engradados de contrabando e contadores de dinheiro. Eles achavam que estavam seguros sob a proteção da escuridão.

Eles não sabiam que a escuridão agora pertencia à Arasaka.

A pouca distância dali, uma van blindada de transporte tático da divisão de Defesa da Arasaka estacionou silenciosamente. A porta traseira se abriu. James Vance desceu primeiro, vestindo uma armadura tática de polímero fosco, segurando um rifle de assalto silenciado com mira holográfica integrada à sua retina.

Logo atrás, Bruce Hastings Arasaka surgiu da penumbra. Mesmo com o traje de combate preto que se moldava perfeitamente aos seus 1,89m, ele mantinha a postura elegante de um CEO. Seus olhos azuis cortavam o nevoeiro com uma frieza assustadora.

— Chloe, o perímetro está isolado? — Bruce perguntou no comunicador de frequência quântica indetectável.

— Totalmente, — a voz de Chloe ecoou no ponto. No QG do topo do arranha-céu, ela monitorava o satélite privado da empresa. — Cortei os sinais de celular e os rádios analógicos em um raio de dois quilômetros. Ninguém consegue pedir ajuda. A rede é sua, Bruce.

Bruce deu um passo à frente, fechou os olhos e respirou fundo. Ele não precisava invadir o prédio fisicamente para mapeá-lo. Expandindo sua tecnomancia bruta, ele enviou sua mente através dos cabos de alta tensão que alimentavam a velha fundição.

Para Bruce, o prédio acendeu em sua tela mental. Ele sentiu cada lâmpada, cada gerador, os smartphones nos bolsos dos gângsteres e os sistemas de segurança antigos.

— James, equipe avançada... Entrem na minha contagem — Bruce comandou, erguendo a mão direita com os dedos espalmados. — Iniciando a sabotagem interna.

Desligar.

No segundo seguinte, todas as luzes do complexo do sindicato se apagaram de uma vez. O silêncio da noite foi quebrado pelo pânico dos criminosos no escuro.

— Mas que diabos?! O gerador falhou! — o líder do sindicato gritou lá dentro, sacando uma lanterna.

Ele não teve tempo de ligá-la. Bruce usou sua inteligência aprimorada para calcular as flutuações de voltagem ideais e forçou as baterias de lítio de todos os smartphones e rádios dos gângsteres a sobrecarregarem simultaneamente. Em nanossegundos, dezenas de pequenos aparelhos explodiram nos bolsos e nas mãos dos criminosos, causando queimaduras, gritos e um caos absoluto no escuro.

Para piorar, os sistemas eletrônicos dos tanques de gás industrial da velha fundição foram hackeados pela mente de Bruce. As válvulas se abriram, liberando um vapor superaquecido nos corredores traseiros, bloqueando as rotas de fuga do sindicato. O prédio estava se voltando contra os próprios donos.

— Agora, James — Bruce ordenou.

A equipe de intervenção da Arasaka, usando óculos de visão termográfica de última geração, estourou as portas da frente. James liderou a linha de frente como um predador. Com seu físico moldado por anos de treino atlético e artes marciais refinadas, ele se movia com uma velocidade letal.

Tuf! Tuf! Tuf!

O som dos disparos abafados ecoava pelo galpão. Os gângsteres do Iron Syndicate, cegos pelo escuro e atordoados pelas explosões de seus próprios aparelhos, eram derrubados um a um. James derrubou três homens que tentavam armar uma metralhadora pesada, quebrando a guarda de um deles com um golpe tático antes de neutralizá-lo. A eficiência da equipe da Arasaka era cirúrgica; não havia tiros perdidos, não havia hesitação.

Bruce caminhou calmamente pelo corredor central da fundição enquanto a batalha acontecia ao seu redor. Um gângster ferido surgiu de uma sala lateral, com os olhos arregalados de ódio, empunhando uma faca militar. Ele avançou contra o peito de Bruce.

Bruce nem se deu ao trabalho de desviar. Ele segurou o pulso do homem no ar com uma força esmagadora, cortesia de seu corpo adaptável purificado. O estalo do osso quebrando ecoou no corredor. O homem largou a lâmina, gritando de dor, e Bruce apenas o empurrou contra a parede, nocauteando-o instantaneamente. Um arranhão superficial na mão de Bruce, causado pela lâmina durante o movimento, fechou-se e sumiu em três segundos devido ao seu fator de cura mutante.

Em menos de sete minutos, o tiroteio cessou. Os quarenta homens do Iron Syndicate estavam no chão, mortos ou neutralizados.

O líder do sindicato, encurralado contra o cofre de parede, estava de joelhos, com o rifle de James apontado para a sua cabeça. Ele olhou para Bruce, que se aproximava limpando uma poeira inexistente de seu traje tático.

— Quem... quem são vocês? — o líder cuspiu sangue, tremendo. — A polícia? O FBI?

Bruce parou diante dele, os olhos azuis brilhando sob a luz residual da tela de um computador que ele havia mantido ligada de propósito.

— Nós somos a construtora que você tentou extorquir — Bruce respondeu, a voz grossa e calma carregando o peso de uma sentença de morte. — E nós não gostamos de atrasos nas nossas obras.

Bruce olhou para o monitor na parede. Com um aceno mental, ele acionou o sistema de câmeras da fundição e transmitiu as imagens de todos os corpos e o rosto do líder diretamente para a central do Agente Especial Robert Vance no FBI, junto com um arquivo contendo todas as provas dos crimes que o sindicato havia cometido nos últimos anos.

— O FBI estará aqui em dez minutos para recolher o que sobrou do seu império — Bruce disse, virando as costas. — James, limpe as nossas assinaturas térmicas e recolha os drives. Nós temos uma reunião de conselho às nove da manhã.

— Entendido, Chefe — James sorriu, acenando para a equipe começar a retirada rápida.

Naquela mesma noite, enquanto as sirenes do FBI começavam a ecoar à distância para fechar o caso de mais uma gangue misteriosamente destruída, Bruce, James e Chloe estavam de volta ao topo do edifício Arasaka.

O submundo de São Francisco havia sido limpo. O pilar Militar da empresa havia provado sua eficiência, e a inteligência da corporação continuava invisível. Eles eram os donos da cidade, operando na fronteira entre os engravatados do mercado de ações e os fantasmas da noite.

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