A rotina de Bruce Hastings Arasaka, aos vinte e dois anos, era uma dança de alta precisão entre números de nove dígitos e impacto humano real. Usando a inteligência aprimorada, ele gerenciava os primeiros passos do império silencioso que nascia através da Apex Holdings. Mas ele sempre encontrava tempo para manter os pés no chão.
Nas tardes de outono, Bruce costumava ir à pequena confeitaria de sua mãe, Emi, em São Francisco, para ajudar com o estoque e as entregas. Para Bruce, o cheiro de baunilha e canela era o único lugar no mundo onde ele podia se desligar da frieza das telas de dados.
Em uma dessas tardes ensolaradas, as portas da confeitaria se abriram e uma jovem entrou. Ela tinha cabelos castanhos claros que caíam em ondas pelos ombros, olhos verdes expressivos e carregava uma pasta de projetos sob o armário. Seu nome era Elena. Ela havia se mudado recentemente para o bairro após se formar em Arquitetura Paisagista e Urbanismo Sustentável.
— Boa tarde. O aroma daqui dá para sentir do início do quarteirão — Elena disse, sorrindo de forma leve e calorosa ao se aproximar do balcão.
Bruce, vestindo apenas uma calça escura e uma camisa de linho simples com as mangas dobradas, aproximou-se para atendê-la. Com seus 1,89m e físico imponente, ele costumava intimidar as pessoas, mas Elena apenas sustentou o olhar, curiosa com os traços marcantes e os olhos azuis profundos do rapaz.
— É o segredo da minha mãe. A torta de maçã com canela acabou de sair do forno — Bruce respondeu, sua voz grossa e calma assumindo um tom surpreendentemente suave.
— Então eu definitivamente vou querer uma fatia e um café — ela respondeu, sentando-se na mesa perto da janela.
Enquanto Elena saboreava o doce, ela abriu sua prancheta e começou a desenhar esboços de jardins botânicos e estruturas verdes integradas. Bruce, observando de longe com sua mente processando tudo quarenta vezes mais rápido, ficou fascinado pela precisão artística e pela paixão com que ela trabalhava. Ele levou o café até a mesa dela e, pela primeira vez na vida, iniciou uma conversa puramente por interesse pessoal.
Eles conversaram por quase uma hora sobre arte, a geometria da natureza e o desenvolvimento da cidade. Elena era inteligente, bem-humorada e tinha uma clareza de espírito que desarmava a rigidez corporativa de Bruce. Quando ela saiu da confeitaria com o cartão de visitas dele no bolso, Bruce sentiu o coração bater de uma forma nova. A atração foi instantânea, genuína e recíproca.
