Parte 1: O Dia Seguinte na Escola de Elite
O sol da manhã batia nos portões de ferro da Academia Hillcrest como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Mas, do lado de dentro, o clima era de puro choque.
Bruce caminhava pelo corredor principal com as mãos nos bolsos do uniforme, exibindo uma calma invejável. Seu corpo adaptável já havia se recuperado totalmente do desgaste mental da tecnomancia. Ao seu redor, alunos e professores estavam colados nas telas dos celulares e nas televisões do pátio interno. O telejornal local não falava de outra coisa.
— ...uma operação sem precedentes do FBI na zona portuária de São Francisco resultou na prisão de executivos da Vanguard Logistics e de dezenas de membros da gangue Red Dragons... — dizia a repórter na TV. — Fontes internas afirmam que o FBI recebeu uma denúncia anônima contendo arquivos criptografados indestrutíveis...
Bruce cruzou os olhos com James, que vinha na direção oposta cercado pelo time de basquete da escola. James deu um sorrisinho de canto quase imperceptível e piscou. Para o resto da escola, James era apenas o herdeiro atlético e popular. Ninguém imaginaria que, poucas horas atrás, ele estava pulando tetos industriais na marina.
Mais à frente, perto dos armários, Chloe estava encolhida, fingindo ler um livro de física. Quando Bruce se aproximou, ela ergueu os olhos atrás dos óculos redondos. Suas bochechas estavam coradas, não de timidez, mas da adrenalina residual de ter invadido uma megacorporação.
— Você viu o jornal? — ela sussurrou, a voz quase sumindo quando dois alunos passaram por eles.
— Vi — Bruce respondeu no mesmo tom, encostando-se no armário ao lado. — Você fez um trabalho limpo, Chloe. O algoritmo de mascaramento segurou as pontas.
— O tráfego de dados foi totalmente pulverizado antes que o FBI pudesse rastrear o IP de origem — ela murmurou, permitindo-se um sorriso orgulhoso. — Mas os servidores federais entraram em pânico quando você forçou as telas deles a acenderem. Eles estão chamando a gente de "fantasmas".
Antes que pudessem continuar, o sinal para a primeira aula tocou. Bruce olhou para o corredor, sentindo uma satisfação profunda. Eles tinham apenas 12 anos, eram considerados crianças pelo sistema, mas controlavam as engrenagens daquela cidade de uma forma que ninguém na Hillcrest jamais poderia sonhar.
No entanto, a calmaria não duraria muito. Enquanto eles entravam na sala de aula, a poucos quilômetros dali, a sede do FBI em São Francisco estava prestes a iniciar uma caçada obsessiva.
