Cherreads

Chapter 5 - capítulo 4 - crescer

- Scott, SCOTT!! - saindo de meu torpor corro até ele, o balanço tentando fazê-lo responder mas ainda sim ele não acorda - SLAP! - SAI DAQUI, VAI, SAI!!! - Minha mãe está com a respiração pesada, o corpo tremendo, enquanto manda meu pai embora, apontando para a saída, Rafael ainda está atônito com o tapa que levou.

O Estado de embriaguez dele claramente passou após o que aconteceu com Scott, e a preocupação é evidente em seus olhos, mas minha mãe não muda de ideia, ela está furiosa, e o manda embora novamente.

Ele olha para Scott em meus braços que ainda não mostrou sinais de acordar, com um sussurro pedindo desculpas, ele se vira para sair - Espera! - gritei deixando Scott no chão com cuidado.

Ele não parou e já estava na saída, tentei correr atrás dele, mas minha mãe me segurou - me solta, eu preciso falar com ele - me debati em seus braços mas foi inútil, ainda sou uma criança e não tenho força - por favor mãe, eu preciso falar com ele - tento suplicar para ela.

Ela parece relutante, mas acaba aceitando, ela sabe o quão próximo sou de meu pai, lentamente ela me solta, e instantaneamente corro para fora, vejo que ele já está entrando no carro e com desespero grito - PAI!! - Ele olha em minha direção, seus olhos úmidos enquanto ele segura as lágrimas.

- A-alex, por que você está aqui? - Ele está confuso, pensava que eu estaria com Scott, e talvez até mesmo o odiasse, me aproximo do carro enquanto ele sai e se aproxima.

- O senhor vai embora? - não poupo palavras e pergunto diretamente a ele, e tudo que ouço é um suspiro pesado carregado de culpa - desculpa - ele diz tão baixo que fico surpreso que consegui ouvir.

Ele se ajoelha ficando da minha altura - Alex, sei que você esconde muitas coisas, e não vou pedir que me conte, mas por favor, cuide deles por mim, por favor, adeus meu filho e novamente, desculpa - vejo que ele está com muita dor falando isso, sua voz embargada, trêmula, seus olhos já não seguravam as lágrimas que agora escorriam pelo rosto.

Tudo que consigo fazer é assentir com a cabeça, prometendo em minha mente que farei de tudo para nos proteger, sinto meu peito doer, eu sabia que esse dia chegaria, mas sinceramente ainda é difícil lidar com isso.

O observo se afastar com passos pesados, ele hesita antes de entrar no carro, olha para nossa casa uma última vez soltando um suspiro pesado, enfim acaba indo embora, mesmo que relutante, ele sabia que não tinha escolha.

Uma lágrima escorre pelo meu olho, sei que preciso ser forte, e que muitas coisas ruins virão, coisas que posso não conseguir impedir, e por isso preciso me esforçar para pelo menos amenizar algumas situações.

Volto para dentro de casa, vejo Scott com os olhos abertos, atordoado sem saber o que aconteceu, aparentemente ele esqueceu que Rafael o derrubou *ou pelo menos é o que a série diz* corro até ele o abraçando perguntando se ele está bem.

Ele está confuso e diz que sim, apenas uma leve dor de cabeça, ao ouvir isso me viro para nossa mãe, e digo que precisamos ir num hospital, afinal é perigoso algo ter acontecido com ele, principalmente por ter batido a cabeça.

Ela concorda e rapidamente entramos no carro, nunca vi ela dirigir tão rápido antes, ela deve estar realmente preocupada, enquanto ela dirigia, eu estava no banco de trás junto a Scott, garantindo que ele não dormisse e sempre verificando se ele estava bem.

Logo quando chegamos no hospital o cheiro predominante de antissépticos e produtos químicos de limpeza invadem minhas narinas, Scott ainda insistia em dizer estar bem, mas não ligamos, nossa mãe por já trabalhar, explicou rapidamente a situação, e logo levaram Scott para uma avaliação rápida e em seguida para tirar uma tomografia.

- Ele vai ficar bem né? Por favor me diga que ele ficará bem - minha mãe estava com lágrimas no rosto perguntando ao médico, com medo de perder o filho ou de algo ruim ter acontecido, também sente culpa por não ser mais cuidadosa, mesmo que isso não tenha sido culpa dela.

- Não se preocupe mãe, o Scott é muito forte - gesticulo flexionando os bicipes, como se fosse facilitar a compreensão, dando um sorriso para acalma-la, o que funciona um pouco, ela da uma risadinha e um tapinha na minha cabeça - Sim, você tem razão, Scott é muito forte, obrigada filho.

Mesmo parecendo bem, sei que ela ainda está muito preocupada - 20 minutos se passaram, e logo o médico retornou, sua expressão era serena, e aliviada, junto a ele chegaram as boas notícias, aparentemente Scott apenas bateu a cabeça e perdeu a lembrança do acidente.

Mas de resto, está perfeitamente bem, logo o liberaram para vir conosco, contudo, disseram para ficarmos de olho, e se algo estranho acontecesse para voltarmos lá imediatamente. O alívio no rosto de nossa mãe era evidente, Scott ainda não entendia o porquê de tanto alarde, mas aceitou a situação.

Fomos para o carro, e o resto do caminho de casa foi uma mistura ambígua de silêncio desconfortável e alívio por Scott, eu olhava pela janela, meu coração ainda doía um pouco por ter que me despedir repentinamente de meu pai assim, mesmo que eu saiba que voltarei a vê-lo no futuro.

*Acho que no fim realmente não posso ter uma infância normal, vou ter que me esforçar muito para evitar perder quem amo, e os proteger, sei que será um grande fardo, mas por eles estou disposto*

Um brilho de determinação reluziu em meus olhos, porém, quando se ganha algo, se perde outra coisa, junto a essa determinação, acabei fechando meu coração, e o congelei, resolvi que se eu for querer salvar a quem puder, não posso deixar com que meus sentimentos atrapalhem.

Chegamos em casa, e Melissa logo perguntou se eu estava bem, ela sabia que eu era muito próximo do pai, e minha expressão que aos poucos tornava-se fria não deve ter ajudado - Sim, estou, apenas com sono, obrigado mãe, te amo - a abracei buscando a aliviar, mesmo preocupada comigo, sei que ela esta pior do que eu.

A realidade batia em sua cara, ela sabia que ele não voltaria, e estava preocupada com os filhos, em como reagiriam ou se sentiriam, mas, tinha que ser a mãe forte e presente, nos dar confiança e proteção.

Nosso abraço durou o que se pareceram minutos, e lentamente nos afastamos, me despedi dela, subi para o quarto onde o peso de tudo que aconteceu hoje lentamente me atingia, Scott já dormia na cama, devia estar cansado de tudo, mesmo que não se lembre.

Mas eu já havia tomado minha decisão, e não voltaria atrás, reafirmando minhas convicções, lentamente sinto meu corpo pesar na cama, o corpo exigindo o sono, o descanso necessário, e finalmente me atinge.

Na manhã seguinte acordei cedo, a lua iluminava o céu enquanto refletia na janela, me levanto com um suspiro pesado ainda sentindo o peso da decisão que tomei, e de tudo que aconteceu no dia anterior.

Vou ao banheiro e vejo no espelho que minha expressão é de cansado, tento lavar o rosto mais ainda não adianta, sei que errado, mas é necessário, termino de me arrumar e desço as escadas, o cheiro de ovos fritos junto a bacon está forte.

Melissa deve estar fazendo isso como forma de nos "consolar" e nos animar, a cumprimentei, minha voz saindo um pouco mais desprovida de emoções do que pretendia, ela percebei e me perguntou se eu estava bem.

Acenei com a cabeça, dando a desculpa de que era apenas sono e cansaço, já que fomos dormir muito tarde ontem, elas sabe que eu não tenho problemas com isso, mas também sabe que eu preciso de um tempo, coisa que ela respeita, e então decide deixar para lá.

Após um tempo, Scott finalmente desceu, perguntando onde o pai estava, Melissa e eu nos encaramos, em um leve sinal de concordância mútua, dizemos a Scott que ele tinha ido embora a trabalho, mas que desta vez ele iria demorar muitooo.

Scott sabia que tinha vezes que Rafael tinha que ficar fora por dias, semanas até meses, por causa do trabalho, mesmo que tentasse passar o maior tempo com a família, sabíamos que uma hora ou outra teríamos que falar a verdade.

Mas por enquanto, vamos deixar ele aliviado, e se acostumar aos poucos com a ausência dele, tomamos um rápido café da manhã, fomos para o carro, onde nossa mãe nos deixou na escola e foi trabalhar.

Mas, não sem antes dar uma leve arrumada em nosso cabelo, *acho que não importa o quão difícil esteja a situação, ou o quão ruim ela se sinta, o amor dela por seus filhos sempre vai ser maior* me sinto meio mal por saber que o que vou fazer irá a machucar, mas sei que é necessário.

Na escola, eu estava diferente do costume, ao invés do meu típico sorriso gentil e infantil no rosto, como quem diz que vai ficar tudo bem, eu tinha uma expressão gélida e desprovida de emoções.

Meus amigos de costume não conseguiram se aproximar de mim, e a maioria que me conhecia pareciam preocupados mas ninguém expressava isso, eu sabia que era errado me afastar de todos assim e me isolar.

Mas eu preciso ser forte, mesmo que isso signifique ficar para sempre sozinho, contanto que eu possa salvar e proteger quem eu gosto, ficará tudo bem.

Mas para minha surpresa.

- Ei, você está bem? - Lydia perguntou preocupada comigo ao sentar em seu lugar *Sim, ela ainda se senta logo na minha frente* mesmo que não fossemos exatamente amigos, ainda éramos mais do que simples colegas.

Dou um leve suspiro enquanto penso em como responder a essa variável inesperada, de todas as pessoas, nunca pensei que seria ela quem perguntaria isso para mim, respirando profundamente respondo.

- Sim, estou, apenas um pouco cansado, obrigado Lydia - Ela me olha com desconfiança, ainda sem acreditar no que eu disse, mas quando estava prestes a continuar a falar, o professor entrou na sala a impedindo.

As aulas foram passando, e honestamente eu não estava nem conseguindo pensar nos casos que normalmente resolvia nas aulas, apenas pensava em tudo que eu precisava fazer, em como teria coisas inevitáveis, no como sou fraco e em quão limitada é minha capacidade física atual devido a minha tenra idade.

Na hora do intervalo, eu sabia que muitos iriam querer falar comigo, Lydia agora talvez inclusa, por isso sai da sala e subi para o terraço, um lugar onde dificilmente alguém vai, muitos por ainda serem crianças tem medo de altura.

Deitado no chão, eu contemplava o céu azul, com poucas nuvens passageiras, pensava em como tudo que eu queria era ter paz, e uma vida tranquila, mas em como seria impossível, ainda assim não me arrependia de ter escolhido reencarnar nesse mundo.

Enquanto eu apreciava a brisa suave do vento de olhos fechados, uma sombra se formou em meu rosto, *novamente ela, me pergunto o que está acontecendo* - O que houve Lydia, não deveria estar com seu grupinho popular? - falo em um tom de irônico, mas genuinamente curioso.

- E-eu, eu estava preocupada com você tá bom - ela fala em um único fôlego, claramente tendo se esforçado para isso, já que é uma pessoa muito orgulhosa - A olhei com confusão no rosto.

- Obrigado, mas eu já disse, estou bem, apenas cansado - Não minta! - ela gritou de volta - nos somos amigos, não somos? Então por que você está mentindo - E pela terceira vez no dia ela me surpreende.

- Lydia - começo a falar devagar, e com uma voz fria - não somos amigos, assumo que não somos apenas colegas, mas... eu não gosto de pessoas como você - sua expressão é de choque, descrença, e... tristeza, mas isso não me impede e eu continuo.

- Você é uma pessoa incrível, é bonita e sei que é super inteligente, mas esconde isso dos outros, basta ver sua facilidade em entender os casos que eu estudo na sala, e tenho certeza, que se você não fingisse, com certeza me superaria, mas você desperdiça todo seu potencial, apenas por algo fútil como popularidade, amizades que nem sequer sabe se são verdadeiras ou não.

E eu detesto esse tipo de pessoa, e no momento, tudo que eu quero é ficar sozinho, quero me concentrar porque minha cabeça está cheia de problemas que ninguém pode me ajudar Lydia, então viva sua vida, e eu viverei a minha, nós somos diferentes - Desabafei com ela, elevando minha voz em meio ao desespero.

Me levantei e sai de lá com pressa, eu não queria ver a expressão em seu rosto, eu sabia que ela estava chorando, que eu a machuquei, mas tudo que eu quero é a salvar, não quero que ela se envolva nesse mundo perigoso, não quero que ela sofra como foi na série.

Meu coração doía, mesmo estando errado, eu tinha meus objetivos, e para isso, eu estou disposto a fazer de tudo, voltei para a sala de aula, pouco antes do sinal tocar.

O resto do dia passou, e Lydia ainda não tinha voltado, não vou negar que estou preocupado com ela, nem que o que eu mais quero é encontrar ela e pedir perdão, mas sei que não posso, e nem sei se eu próprio me perdoaria pelo que fiz.

Ei, Alex, como você está? - Scott tenta me chamar, mas o ignorei e sai da sala lentamente, o deixando para trás, eu não queria falar com ninguém agora, eu queria correr, queria fugir, mas não demonstrei, mantive uma expressão fria em meu rosto, que afastava a todos que se aproximavam.

O caminho para casa foi composto por um silêncio ensurdecedor, Scott estava preocupado comigo, mas ele sabia que agora não adiantaria falar, e nossa mãe também, mas ela sabia que no momento eu estava passando por algo, e que não queria falar com ninguém.

Eu a amo, e agradeço por isso, ela me entendeu, e respeitou minha escolha, talvez ela apenas estivesse receosa de falar algo e me deixar mais pra baixo ou seja lá o que ela esteja pensando, mas ainda sim, a ausência de perguntas foi bem vinda.

Chegamos em casa pouco depois e fui direto para o quarto, estava cansado e precisava descansar, acalmar minha mente de algum jeito, não que fosse adiantar muito, mas não custava tentar.

*TIME SKIP - 5 ANOS*

5 anos se passaram, e eu ainda não sinto muitas coisas, minha vida desde aquele dia parece meio vazia, estamos de férias, e falta uma semana ainda para o meu aniversário de 15 anos.

Esses anos eu não fiz muita coisa, pratiquei alguns estilos de lutas, e comecei a treinar meu físico, já que começando a adolescência meu corpo começaria a se desenvolver melhor, e mesmo Scott e eu sendo gêmeos, eu era um pouco maior que ele tendo 1,83m enquanto ele tem 1,78m.

Na escola, após aquele acidente eu acabei me afastando de todos, menos de Lydia... Ela mudou muito após meu "desabafo", parou de tentar fingir, e melhorou muito suas notas, e ainda sim instituiu em falar comigo.

Eu não entendia o porquê dela fazer isso, ela dizia ser porque eu a ajudei a abrir os olhos para realidade, mas tudo que eu fiz foi explodir com ela, coisa que me sinto mal até hoje em dia, mesmo ela já tendo dito que me desculpa.

E por ser a única pessoa que acabo conversando *fora Scott e Stiles que ainda vem aqui* acabamos nos tornando mais próximos, e acho que ela se tornou meu porto seguro, ou era o que eu pensava, mas no final do ano ela voltou a agir como antigamente.

Acho que ela vai querer ser a popular novamente no ensino médio, e após uma "discussão" nós acabamos nos desentendendo e nos afastamos novamente, sinceramente isso me machucou um pouco, mas eu meio que esperava que isso acontecesse.

Meus dias após isso passaram a se consistir em apenas ler livros sobre mitos e lendas e investigação criminal, treinar artes marciais, o que honestamente perdi o interesse com o tempo já que estranhamente meu corpo se desenvolvia mais rápido do que o do resto.

Mas eu tinha um corpo compactado, não um físico de fisiculturista, apenas bem definido, na escola eu sempre me mantive em primeiro lugar em tudo, estudos, testes físicos, exames, etc... e devido a minha personalidade fria e distante ganhei o apelido de "Príncipe do gelo" recebendo uma confissão vez ou outra mas nunca aceitando.

Meus cabelos sempre os mantive de um tamanho relativamente curto e espetados para trás o que me destacava, enquanto Scott ainda tinha aquele cabelo grande da série, e não se destacava muito, andando apenas com Stiles ainda, o que me deixava preocupado.

E por falas nele, depois do acidente ele passou a ter asma, não sabemos o que desencadeou isso, mas o impediu de evoluir muito nos esportes e no lacrosse, o que o deixou meio para baixo, mas eu sempre o animei dizendo que um dia ele conseguiria.

Meu relacionamento com Melissa bem, eu diria que é relativamente bom, não sou exatamente próximo dela, já que passo muito tempo fora de casa, e não falo muito com ela, mas ainda sim é bom.

E no momento ainda é cedo, por volta das 12:00 e estou em um penhasco que dá uma vista linda para a cidade, e olhando aqui de cima ela é até que bem grande, e bem bonita, sempre me perguntei como seria ela de noite já que nunca vim nesse horário por ser preciso passar pela floresta para chegar aqui e eu sei o quão perigoso isso seria.

Ainda sim, eu passei a vir aqui no ano passado, e honestamente é um bom lugar, onde consigo ter paz, apreciar a brisa suave do vento, junto a vista do lindo céu azul ou da cidade, esses anos eu passei por muitas coisas, mas agora me sinto um pouco mais livre, um pequeno luxo que me permito sabendo que em pouco mais de um ano as coisas virarão de cabeça pra baixo.

Eu estava com os olhos fechados enquanto descansava aproveitando a tênue paz que tinha ali, e foi quando ouvi - CRACK - um galho quebrando, tinha algo ou alguém ali, eu não queria virar meu rosto, meu corpo travou, e minha respiração se prendeu, eu sabia que era inútil, e tudo que pude fazer foi virar para ver o que me aguardava.

E ao me virar.

Continua...

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