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Chapter 12 - Fate convocando Kratos como Berserk

A transição do cataclismo de Fuyuki para a calmaria daquela nova textura de mundo não foi apenas uma mudança de cenário; foi uma desaceleração forçada na própria alma daqueles que sobreviveram. Nos meses que se seguiram à queda na colina das oliveiras, a coligação improvável de magos da Caldeia, heróis britânicos e duas das forças mais destrutivas da história mítica teve que aprender a gramática daquela realidade intocada. O Dr. Roman e a equipe técnica em Chaldea logo constataram que a Singularidade que haviam deixado para trás cicatrizara por completo, mas o retorno de Ritsuka e Mash fora bloqueado por uma densa barreira de éter puro que envolvia esta nova era. Eles estavam ali para ficar, ao menos por enquanto.

A pólis grega que avistaram no horizonte revelou-se um milagre geográfico e político: **Neo-Babilônia**, uma metrópole de mármore e tijolos esmaltados de azul, onde a arquitetura dórica se fundia aos jardins suspensos em patamares que desafiavam a gravidade. Nesta linha temporal estável, a Idade dos Deuses não terminou com um declínio abrupto, mas com um pacto de não-interferência mútua assinado nas planícies do Eufrates séculos atrás. Os deuses do Olimpo residiam em seu pico, distantes e desinteressados, enquanto os remanescentes da Mesopotâmia vigiavam as fronteiras conceituais do leste. E no centro desse equilíbrio delicado, o dia a dia dos viajantes do tempo encontrou uma rotina peculiar.

A rotina da Caldeia estabeleceu-se nos arredores do distrito acadêmico, onde Rin Tohsaka rapidamente encontrou seu lugar entre os filósofos naturais e astrólogos reais. Sem o peso da linhagem Tohsaka de Fuyuki e a obsessão pelo alcance da Raiz através do Santo Graal, Rin passava as manhãs na Grande Biblioteca de Neo-Babilônia, traduzindo tábuas de argila cuneiformes que descreviam o fluxo de mana da Terra antes da separação dos continentes.

"A física mágica deste lugar é ridícula", Rin reclamava nas tardes quentes, sentada à mesa do pátio interno da estalagem que haviam alugado, enquanto usava um estilete de osso para gravar runas em gemas de lápis-lazúli locais. "Eu não preciso gastar metade das minhas reservas apenas para acender uma chama de projeção. O éter aqui está tão concentrado que se você respirar muito rápido, seus pulmões brilham. Archer, pare de afiar essa espada e me ajude com o cálculo dessa órbita conceitual!"

Archer (EMIYA), vestindo uma túnica grega vermelha sobre sua armadura preta habitual para se misturar aos cidadãos, apenas sorria de canto, a pedra de amolar deslizando com um ritmo hipnótico sobre a lâmina de Kanshou. Seu papel naquela realidade transformara-se no de um protetor doméstico e cozinheiro-chefe não oficial do grupo. Com os ingredientes frescos dos mercados flutuantes — trigo selvagem do Crescente Fértil, azeitonas colhidas nos vales do Peloponeso e peixes do mar Egeu —, ele recriava pratos modernos adaptados ao que os fornos de barro permitiam.

"O trigo daqui tem uma densidade de glúten diferente, Rin. Se eu não sovar a massa por quarenta minutos, o pão vira um tijolo de fundação", respondeu o arqueiro, limpando o suor da testa. "Além disso, temos visitas hoje. E o apetite do nosso hóspede de armadura azul não diminuiu com a mudança de era."

Saber (Arturia) passava a maior parte do dia na guarnição da cidade. Sem um reino para governar ou uma tragédia em Camlann para reverter, a Rei dos Cavaleiros encontrara uma paz simples na camaradagem dos soldados locais. Ela treinava os jovens hoplitas na arte da espada longa, maravilhando-se com a ausência de intrigas políticas que outrora destruíram sua Bretanha. Mas quando o sol começava a descer, sua prioridade mudava drasticamente para o refeitório da estalagem, onde esperava pacientemente pelas criações de Archer com os olhos brilhando de uma expectativa quase infantil.

O Altar e a Bigorna

No entanto, o verdadeiro eixo de Neo-Babilônia girava em torno dos dois titãs que haviam moldado o destino daquela realidade.

Gilgamesh assumira um papel de patrono silencioso da cidade. Sem a corrupção da lama do Graal ou o tédio de viver na modernidade decadente do ano de 2004, o Rei dos Heróis recuperara a dignidade de sua juventude, embora mantivesse o distanciamento de um observador imortal. Ele não interferia nas leis da pólis, mas seu palácio de mármore no topo da acrópole era o ponto focal de onde ele vigiava o horizonte.

Quase todas as manhãs, Gilgamesh descia aos jardins inferiores para observar o treinamento de Fujimaru Ritsuka e Mash Kyrielight. O Mestre da Caldeia, agora livre da pressão imediata de salvar a humanidade de uma incineração iminente, usava o tempo para fortalecer seu próprio corpo e aperfeiçoar sua conexão com Mash.

"Seu peso está mal distribuído na perna esquerda, garota do escudo", Gilgamesh comentava, flutuando a poucos centímetros do chão, reclinado sobre uma cadeira de bronze flutuante que invocara de seus cofres. Ele saboreava vinho em uma taça de cristal que captava os raios solares. "Se a Besta de Einzbern a tivesse golpeado com esse alinhamento, sua espinha teria sido pulverizada antes mesmo que seu escudo pudesse registrar o Mistério. Continue. Um herói não se molda com lamentações, mas com a repetição da dor."

"Sim, Rei Gilgamesh!", Mash respondia, ofegante, reajustando a postura e erguendo o imenso escudo negro contra os ataques simulados que as projeções rúnicas da Caldeia geravam no ar.

Ritsuka, sentado na grama enquanto monitorava os dados biométricos de Mash através de um terminal que o Dr. Roman conseguira estabilizar, olhava para o Rei. "Você parece mais calmo aqui do que em Fuyuki, Gilgamesh."

O monarca olhou para o jovem Mestre, o olhar carmesim suavizando-se por uma fração de segundo. "Fuyuki era um túmulo de ambições mesquinhas, um teatro de sombras orquestrado por magos que rastejavam pelo chão procurando as migalhas dos deuses. Este mundo... este mundo ainda possui o aroma da criação. Os homens aqui constroem com as próprias mãos, não com o medo do que o amanhã trará. É um jardim que merece ser observado antes que o outono inevitável da humanidade chegue."

O Ferreiro de Cinzas

Abaixo da acrópole, nos limites do distrito dos artesãos, onde o barulho dos martelos contra o bronze ecoava desde o amanhecer, Kratos encontrara seu próprio exílio produtivo.

O Fantasma de Esparta recusara os aposentos no palácio real e a estalagem dos magos. Ele construíra uma pequena cabana de pedra e madeira perto de uma falésia que dava para o mar aberto, onde o som das ondas quebrando contra as rochas abafava os ecos dos deuses em sua mente. No centro de sua oficina improvisada, uma imensa bigorna de ferro — um presente que Gilgamesh enviara sem qualquer mensagem ou aviso — servia como o altar de sua nova rotina.

Kratos passava as horas forjando ferramentas agrícolas para os camponeses das planícies e reparando as armaduras dos guardas que se aventuravam perto de sua morada. Ele trabalhava sem camisa, os músculos poderosos brilhando com o suor e o reflexo das brasas da forja, a cicatriz vermelha em seu torso parecendo uma ferida antiga que finalmente encontrara o tecido de cicatrização adequado.

Muitas vezes, era Ritsuka quem quebrava o isolamento do espartano. O garoto trazia provisões da estalagem e, em troca, sentava-se num canto da oficina para assistir ao trabalho do guerreiro. Kratos raramente falava, mas sua presença não era mais a tempestade de fúria que assustara a Caldeia no primeiro encontro; era a quietude pesada de uma montanha que já não precisava provar sua estabilidade.

Em uma tarde de vento forte, enquanto Kratos moldava a lâmina de uma foice com golpes ritmados e precisos de seu martelo, uma sombra dourada cruzou a entrada da oficina. Gilgamesh entrou, sem pompa ou servos, caminhando entre as ferramentas e os pedaços de ferro com a naturalidade de quem conhece cada palmo de metal existente no mundo.

O espartano não interrompeu o movimento de seu braço. O martelo desceu mais três vezes, espalhando faíscas alaranjadas que morreram antes de tocar as vestes de linho do Rei.

**"Você está longe do seu trono, rei"**, Kratos disse, a voz profunda vibrando abaixo do som do metal esfriando.

"Os tronos tornam-se enfadonhos quando os súditos aprendem a governar a si mesmos", Gilgamesh respondeu, parando diante da bigorna. Ele olhou para a foice inacabada, estendendo os dedos para tocar o gume ainda quente. Sua sensibilidade mítica avaliou a estrutura do objeto em um instante. "Um trabalho bruto, desprovido do refinamento estético das oficinas de Uruk. No entanto... a têmpera deste metal possui uma densidade que desafia a corrosão do tempo. Você coloca sua própria permanência naquilo que molda, espartano."

Kratos largou o martelo sobre a bancada e usou uma pinça de ferro para mergulhar a lâmina incandescente em um tanque de água fria. O chiado do vapor subiu em uma nuvem branca, ocultando brevemente as feições dos dois homens.

**"As ferramentas que duram são aquelas que servem para alimentar os homens, não para matá-los"**, Kratos proferiu, olhando fixamente para a água que borbulhava. **"Já limpei armas o bastante para três vidas. O ferro que colhe o trigo não precisa de beleza."**

Gilgamesh soltou uma risada curta, um som sem o escárnio do passado. "Uma filosofia previsível para um homem que quebrou os pilares de sua própria história. No entanto, não vim aqui para julgar seus métodos de ferreiro. Vim para entregar isto."

O Rei dos Heróis estendeu a mão direita. Uma fenda dourada minúscula abriu-se no ar, e dela Gilgamesh retirou um pequeno frasco de vidro escuro, selado com cera vermelha e gravado com caracteres que Ritsuka, assistindo do canto, não conseguiu decifrar.

"Um destilado das vinhas mais antigas que meu tesouro guarda", disse Gilgamesh, colocando o frasco sobre a bancada de madeira, ao lado do martelo de Kratos. "Um elixir que os homens da minha era usavam para aplacar o cansaço após as guerras contra os monstros da terra. Considere um tributo à sua persistência na Singularidade. Ou apenas o capricho de um monarca que prefere ver seu igual sóbrio quando o próximo teste chegar."

Kratos olhou para o frasco. Seus dedos grossos e calejados tocaram o vidro frio. Ele levantou os olhos para Gilgamesh, o olhar dourado encontrando a lucidez carmesim do sumério. Não houve agradecimento verbal; homens daquela estatura não usavam a linguagem dos mortais para selar tréguas.

**"No meu mundo..."**, Kratos começou, pegando o frasco e guardando-o em um compartimento de couro em seu cinto, **"...os reis costumavam oferecer vinho antes de pedirem que uma guerra fosse travada em seus nomes."**

"Então sinta-se aliviado, Fantasma de Esparta", Gilgamesh virou-se de costas, caminhando em direção à saída da oficina, onde o sol poente começava a pintar o mar Egeu de ouro e púrpura. "A única guerra que este mundo reserva para nós é aquela que nós mesmos escolhermos iniciar. E, por enquanto, a paz da Neo-Babilônia me diverte o bastante."

Com a saída do Rei, a oficina retornou ao seu silêncio habitual. Kratos pegou novamente o martelo, reajustou a foice na bigorna e desferiu o primeiro golpe. O som metálico ecoou pela falésia, misturando-se ao bater das asas das gaivotas e ao riso de Ritsuka e Mash que subia da colina próxima. Naquela realidade sem Graal e sem destino traçado por deuses tirânicos, o dia a dia continuava firme, forjado golpe a golpe, sob a luz de um sol que finalmente pertencia a todos eles.

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