SEDE DA RAIZ
Danzō permaneceu imóvel no centro da sala, apoiado em sua bengala, enquanto o silêncio refletia o controle absoluto que mantinha após sair da reunião com os anciãos. A decisão já havia sido tomada, e isso bastava para manter sua calma exterior, mesmo com a situação exigindo ação imediata.
'Agora ele é meu.' O pensamento veio direto, sem desvios. 'Só preciso encontrá-lo.'
Dois ANBU apareceram diante dele, ajoelhando-se instantaneamente, e a atenção de Danzō voltou-se primeiro para aquele que havia sido designado para monitorar o novo Uchiha. O atraso por si só já era um problema.
"Você." Danzō manteve o tom baixo, mas carregado de pressão. "O que você está fazendo aqui? Não deveria estar vigiando o Riser?"
Os agentes da ANBU não hesitaram, mas também não puderam evitar o peso da resposta.
"Sinto muito." Ele manteve a cabeça baixa. "Procurei em hotéis e pousadas... mas não o encontrei."
Danzō não respondeu imediatamente.
A informação não era adequada.
"Como assim ele não foi encontrado?" Seu tom endureceu. "Ele não pode simplesmente desaparecer da aldeia."
O ANBU manteve sua postura.
"Considerei essa possibilidade", respondeu ele diretamente. "E fui ao distrito Uchiha."
Danzō inclinou ligeiramente a cabeça.
"E?"
Os ANBU não perderam tempo.
"Existe uma barreira."
O silêncio se dissipou.
"Uma barreira?" Danzō repetiu, mais baixo.
"Sim." O ANBU confirmou. "Tentei avançar... mas fui bloqueado."
Danzō não se mexeu.
"O que mais?" A pergunta veio imediatamente.
"Não há nenhum sinal visível", continuou o ANBU. "Mas a estrutura é sólida. Tentei quebrá-la... não consegui."
Danzō fechou os olhos ligeiramente por um instante, organizando as informações friamente enquanto seu raciocínio fluía rapidamente.
'Uma barreira no distrito Uchiha... no mesmo dia em que um Uchiha aparece... conveniente demais.'
"Retornem ao distrito Uchiha." Ele falou diretamente, sem mudar o tom. "Observem à distância... e não façam mais nada."
O ANBU assentiu sem hesitar e desapareceu instantaneamente, deixando apenas o segundo agente na sala enquanto o silêncio se impunha novamente.
Danzō não escondeu sua irritação; o leve aperto em sua bengala revelava seu desconforto com a situação fora de controle, mas sua expressão permaneceu firme.
'Se necessário... eu quebrarei essa barreira amanhã.'
"E você?" Ele voltou sua atenção para o outro ANBU. "Que informações você tem para mim?"
"Jiraiya foi assassinado." A resposta veio diretamente, sem hesitação.
Danzō não reagiu externamente, mas seu olhar mudou.
"Quem te deu essa informação?"
"Veio daquela pessoa."
O silêncio durou menos de um segundo.
'Orochimaru.'
"Você tem os detalhes?" Danzō manteve o tom baixo, mas mais atento.
"Só que era seu próprio aluno... Naruto Uzumaki."
Danzō não desviou o olhar.
"A raposa..." Ele falou baixo, já assimilando o impacto da informação. "Ela não deveria ter saído de Konoha."
Ele fez um leve gesto com a mão.
"Pode ir."
O ANBU assentiu com a cabeça e desapareceu instantaneamente, deixando Danzō completamente sozinho na sala.
O silêncio retornou, mas agora repleto de intenção.
A frustração por não ter conseguido localizar Riser ainda persistia, mas as novas informações claramente alteraram o equilíbrio do cenário.
'Jiraiya está morto... e pela própria arma da aldeia.'
A conclusão veio rapidamente.
'Isso muda tudo.'
Danzō ergueu ligeiramente a cabeça, seu olhar firme já projetando o próximo movimento no jogo político que se desenrolava.
"Hime..." Ele falou baixo, sem que ninguém o ouvisse. "Você não perdeu apenas Jiraiya... você perdeu a própria raposa."
Sua mão apertou a bengala.
"É hora de questionar sua posição como Hokage."
____
TORRE HOKAGE
Tsunade manteve o olhar fixo na mesa enquanto organizava as decisões que precisavam ser tomadas, ignorando o evidente cansaço e concentrando-se apenas no que estava por vir.
"Ontem foi um dia difícil." Ela falou sem desviar o olhar. "Mas temos que lidar com as consequências... A morte de Jiraiya não é mais um segredo."
Kakashi permaneceu em silêncio, enquanto Sakura manteve uma postura rígida, absorvendo o peso da informação sem interromper.
"E isso é perigoso", continuou Tsunade. "Outras aldeias podem interpretar isso como fraqueza... e atacar."
Ela soltou um suspiro controlado, não permitindo que a tensão interrompesse sua linha de raciocínio.
"Kakashi." Tsunade ergueu o olhar. "Quero que você encontre Riser Phenex e o traga aqui. Apesar do nome... ele tem linhagem Uchiha."
Sakura não reagiu.
Kakashi inclinou ligeiramente a cabeça.
"Assim será feito, Godaime."
Tsunade mudou o foco.
"Sakura." O tom era direto. "Preciso que você entenda... seus antigos companheiros de equipe agora são inimigos de Konoha."
Sakura não respondeu imediatamente.
"Entendo, Tsunade-sama." A resposta veio em tom baixo, mas firme o suficiente para não deixar dúvidas.
toc toc
"Tsunade-sama!" A voz veio de fora, urgente. "Tsunade-sama!"
"Entre", respondeu Tsunade imediatamente.
Shizune entrou sem esperar, respirando rapidamente enquanto fechava a porta atrás de si.
"Temos um problema." Ela falou diretamente. "Danzō está vindo para cá... e os anciãos estão com ele."
Tsunade não mudou sua expressão.
'Ele não perde tempo…'
"O objetivo dele não é apenas o Riser..." O pensamento se encaixou rapidamente.
"Há mais", continuou Shizune. "Cerca de dez ANBU estão perto do distrito Uchiha."
O foco mudou.
"Por quê?" perguntou Tsunade sem hesitar.
"Não sei os detalhes", respondeu Shizune. "Mas eles não entraram... estão apenas cercando o local."
Tsunade não desviou o olhar.
"É provável que Riser esteja lá." Ela manteve o tom firme, já definindo a decisão sem margem para dúvidas.
"Kakashi." A atenção voltou-se para ele. "Vá para o distrito Uchiha... e informe a ANBU que é uma ordem direta do Hokage para se retirar."
Ela não hesitou.
"Quem desobedecer... será considerado um traidor."
Kakashi não hesitou.
"Assim será feito, Godaime."
Tsunade virou ligeiramente o rosto.
"Sakura, vá com ele." O tom não suavizou. "E tome cuidado."
Sakura assentiu imediatamente.
"Sim, Tsunade-sama."
Os dois desapareceram segundos depois, não deixando nenhum vestígio no ambiente, e o silêncio retornou por apenas um instante antes de ser interrompido.
Passos.
Empresa.
Aproximando-se.
Shizune virou o rosto em direção à porta, já sabendo quem era antes mesmo de ver.
A porta se abriu.
Danzō entrou primeiro.
Logo atrás dele, Homura Mitokado e Koharu Utatane seguiam, mantendo posturas rígidas enquanto avaliavam o ambiente sem pressa.
"Homura-sama… Koharu-sama…" Shizune falou, mantendo o respeito, mas sem se mexer.
"Dê licença", respondeu Koharu diretamente, sem mudar o tom de voz. "E nos deixe a sós com o Hokage."
Shizune não se moveu imediatamente.
Seu olhar se voltou para Tsunade.
Tsunade sustentou o olhar por um segundo.
"Vai, Shizune." Ela falou simplesmente, sem perder a firmeza.
Shizune assentiu com a cabeça.
"Sim, Tsunade-sama."
Ela se afastou imediatamente, deixando o caminho livre para que os três entrassem na sala. A porta foi fechada logo em seguida, isolando completamente o ambiente.
____
DIMENSÃO KAMUI
A mesa já estava posta quando Riser se sentou, mantendo uma postura relaxada enquanto começava a comer sem pressa, como se nada lá fora tivesse qualquer urgência naquele momento. Merlin estava à frente, mantendo uma expressão neutra, enquanto Hancock permanecia perto demais, claramente satisfeito.
"Ainda não consigo acreditar." Hancock apoiou o rosto na mão, sorrindo de lado. "Foi a melhor noite da minha vida... mesmo com um intruso atrapalhando."
Merlin não desviou o olhar.
"Se isso era um problema, você não demonstrou." Ela respondeu diretamente, sem mudar o tom. "Seu comportamento foi consistente do começo ao fim."
Hancock estreitou ligeiramente os olhos, mas não recuou.
"Consigo ignorar certas coisas quando vale a pena", respondeu ela com um leve sorriso. "Mas isso não significa que eu vá gostar."
Riser continuou comendo.
"Isso não importa." Ele falou simplesmente, sem olhar para nenhum dos dois. "Vocês já entendem como isso funciona."
Hancock não respondeu imediatamente, mas também não argumentou, apenas mantendo-se próxima como se isso por si só bastasse para reafirmar sua posição. Merlin não insistiu, simplesmente aceitando a decisão implícita sem precisar reforçá-la.
O silêncio retornou por alguns segundos, mas não era desconfortável, apenas estável, mantendo o ritmo calmo daquele espaço isolado. Riser terminou sua refeição sem pressa, limpando as mãos com simplicidade antes de finalmente encerrar o momento.
"Já chega." Ele disse, levantando-se sem hesitar. "Hora de ir embora."
Hancock ergueu o olhar imediatamente.
"Já?" Ela inclinou levemente a cabeça. "Você acabou de decidir ficar."
"Já fiquei tempo suficiente", respondeu Riser diretamente, sem mudar o tom. "Agora há coisas a fazer."
Merlin levantou-se sem questionar.
"O distrito." Ela falou simplesmente, já definindo o plano de ação. "Vou restaurar a estrutura."
Riser assentiu com a cabeça.
"Exatamente."
Hancock cruzou os braços, mas não havia nenhum sinal real de insatisfação.
"E eu?", perguntou ela, embora já soubesse a resposta.
"Fique você", respondeu Riser sem hesitar. "Alguém precisa manter este lugar organizado."
Hancock não demorou muito.
"Claro", respondeu ela naturalmente. "Esse é o papel de uma boa esposa."
Merlin não fez nenhum comentário.
Riser também não.
A decisão já foi aceita.
Hancock afastou-se da mesa, começando a organizar o espaço sem hesitar, movendo os objetos naturalmente enquanto um leve sorriso permanecia em seu rosto. O comportamento não era forçado, era algo que ela fazia por vontade própria.
"É tão bom..." Ela murmurou baixinho enquanto começava a limpar. "Ser esposa do Riser-sama."
Riser não reagiu.
Ele simplesmente levou a mão ao rosto por um instante antes de ativar o Sharingan, o vermelho surgindo nitidamente enquanto seu olhar se fixava à frente. Merlin já estava posicionado ao seu lado, pronto para segui-lo sem precisar de mais instruções.
"Vamos lá." Riser falou simplesmente.
Merlin assentiu com a cabeça.
"Sim."
O espaço se distorceu instantaneamente.
Sua presença desapareceu sem deixar rastro, arrancada diretamente da dimensão, deixando apenas o silêncio para trás. Hancock não parou o que estava fazendo, simplesmente continuou no mesmo ritmo, como se já fosse esperado.
Ela girou ligeiramente no próprio eixo, pegando outro objeto enquanto mantinha o sorriso.
"Volte logo..." Ela falou baixinho, ainda limpando. "Querido."
A dimensão permaneceu estável.
E completamente sob controle.
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