Parte 1: A Descoberta em Londres
O ritmo dos negócios globais não dava tréguas. Pouco tempo após a consolidação da mansão e do jantar familiar, Bruce precisou de decolar no jato privado da Arasaka com destino a Inglaterra. O objetivo era uma reunião crucial na City de Londres para fundir a divisão bancária da empresa com o mercado financeiro europeu — uma operação que Bruce liderou com o seu intelecto aprimorado, decidindo os termos quarenta vezes mais rápido que os banqueiros britânicos.
Contudo, Bruce guardara espaço na agenda para a Fundação Arasaka. Ele deslocou-se até à zona leste de Londres para uma inspeção anónima ao St. Jude's Home for Children, um orfanato vitoriano que solicitara o apoio da empresa.
Sob uma garoa fina e um céu cinzento, Bruce caminhava pelos corredores com a diretora quando o seu olhar azul foi magneticamente atraído para o pátio externo.
Sentados num banco de madeira, isolados das outras crianças, estavam dois rapazes gêmeos de quatro anos de idade. Bruce congelou por um segundo. A fisionomia dos pequenos era um choque para a sua mente analítica: ambos tinham cabelos castanhos escuros e olhos azuis incrivelmente brilhantes. Era como olhar para um reflexo perfeito da sua própria infância.
— Quem são aqueles dois? — a voz grossa de Bruce ecoou, firme e focada.
— São o Leo e o Lucas, Sr. Arasaka — a diretora suspirou. — Foram abandonados à nossa porta há um ano. São brilhantes, mas vivem num mundo só deles, protegendo-se mutuamente. É quase impossível encontrar famílias que queiram adotar os dois juntos... e nós não os separamos.
Bruce caminhou até ao pátio. Agachou-se no concreto úmido, ficando na altura dos olhos dos gêmeos. Não houve medo por parte dos meninos perante os seus 1,89m; houve uma conexão instantânea. Usando a sua tecnomancia de forma invisível, Bruce consertou um carrinho de brinquedo partido que eles seguravam. Quando Lucas tocou a sua mão grande, um amor paterno avassalador arrebatou o peito do CEO.
Ele levantou-se e olhou para James Vance, que o aguardava na porta.
— James, aciona a nossa divisão jurídica em São Francisco agora. Ativem o processo de adoção internacional de emergência. O Leo e o Lucas vão para casa connosco.
Naquela mesma noite, no hotel em Londres, Bruce fez uma videochamada criptografada para Elena. Quando a imagem da esposa surgiu na tela, Bruce respirou fundo, exibindo um semblante intensamente emocionado.
— Elena... a Arasaka acabou de fazer a aquisição mais importante da nossa história — Bruce disse, partilhando as fotos e os dados que Chloe já havia unificado. — Eu conheci estes gêmeos hoje no orfanato. Eles foram abandonados. No momento em que olhei para eles, eu soube. Eu apaixonei-me por estes meninos, Elena. Quero que eles sejam os nossos filhos.
Elena aproximou-se da tela. Ao ver os rostos dos meninos de cabelos castanhos e olhos azuis tão parecidos com os do marido, e ao notar a vulnerabilidade e o amor na voz de Bruce, as lágrimas inundaram os seus olhos verdes. O seu instinto materno despertou no mesmo milésimo de segundo.
— Bruce... eles são absolutamente lindos — Elena sussurrou, com um sorriso radiante entre as lágrimas. — Olha para o olhar deles... Eles já são os nossos meninos. Trá-los para casa, meu amor. Eu trato de tudo por aqui.
